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Alguma coisa estranha no Miss Bahia?

No próximo dia 25 de maio vai acontecer a final do concurso Miss Bahia, que vai mandar a candidata daquele estado ao Miss Brasil. Goste você de concursos de beleza ou não, peço que dê uma olhadinha na foto das candidatas:

Candidatas ao Miss Bahia

Candidatas ao Miss Bahia: está faltando alguma coisa?

A Bahia é o estado com maior percentual de negros no Brasil. Quase 80% da população é negra. Dos dez municípios com mais negros no país, oito são baianos. E mesmo assim – olhe novamente para a foto – é difícil de encontrar negras ou pardas entre as candidatas (todas confinada à parte de trás da foto, diga-se de passagem). Nem parece que estamos comemorando os 125 anos da Lei Áurea.

Mais do que um absurdo, a foto é uma representação de como nossos valores culturais estão deturpados e do quanto o Brasil não se orgulha de sua própria cultura. Não é a toa que o Rio Grande do Sul é o maior fazedor de Miss Brasil. As mulheres de lá não se parecem nem um pouco com nossas negras e mulatas. A Bahia só conta elegeu a campeã do Miss Brasil três vezes (nos longínquos 1954, 1962 e 1968) – e nenhuma delas era negra.

Tudo bem que concursos de Miss não são exemplo para nada. Prestam um terrível papel no que se refere à valorização da mulher e na criação de padrões de beleza. Justamente por isso é tão grave um racismo assim descarado nesse tipo de concurso.

Que ano é hoje? Ou o preconceito racial na atualidade…

Se você é daqueles que pensa que o preconceito racial ficou preso nos anos 1950, sugiro que veja os links desse post com bastante atenção.

Nos últimos dias, duas histórias me deixaram bastante surpreso. Não imaginava que Brasil e Estados Unidos ainda tivessem preconceitos tão fortes e arraigados. Para mim, as coisas ficavam muito mais “escondidas”, disfarçadas em salários menores, no tratamento diferente dado pela mídia e em arroubos racistas que, de vez em quando, vemos por ai – principalmente nos comentários anônimos da internet.

Em alguns lugares, porém, a coisa é bem mais descarada e desavergonhada. Não fosse isso, como explicar que garotas do estado americano da Georgia resolveram instituir uma “nova” tradição para o baile de formatura do colegial? A nova tradição nada mais é do que dar uma festa onde possam comparecer negros e brancos. Nada de comemorações separadas, como acontecia até então.

No Brasil, na cidade de Canguçu (RS), a igreja Luterana tem sedes separadas para os brancos e para os negros. Um quilômetro separa as igrejas, comandadas pelo mesmo pastor. Um quilômetro e um histórico baseado no preconceito racial.

O que mais me espantou nas duas histórias é que, segundos os textos, as coisas permaneceram assim porque foi o desejo da comunidades. Um sinal – preocupante – de que todo o passado ainda está muito presente na cabeça das pessoas.

Nossa sociedade racista

Há alguns dias compartilhei em meu Facebook um link para um post do blog espanhol 233grados sobre a resposta que a revista SoHo havia preparado a uma foto para lá de infeliz feita pela Hola.

Para quem não está por dentro da polêmica, vejam as imagens:

Logo depois que eu postei o link do 233grados, recebi a reclamação de algumas amigas sobre a reação da SoHo. Elas reclamavam do fato de as negras estarem nuas. Respondi que isso tinha a ver com o projeto gráfico da revista que, como tantas outras, tem por hábito colocar mulheres peladas em suas capas, como se essa fosse a única forma de atrair o público masculino – e babão.

Mesmo entendendo que se trata de uma questão editorial, o protesto das meninas me fez refletir sobre o assunto. É incrível como ainda vivemos em uma sociedade racista e machista, que resiste em dar espaço para mulheres negras que não aceitem transformar-se em objetos.

Enquanto sigo pensando no tamanho do preconceito em que somos criados – e que muitas vezes negamos, por achá-lo natural – aguardo uma resposta realmente a altura da agressão cometida pela Hola.