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Textos com Etiquetas ‘preconceito racial’

E a Miss Bahia é negra

Você deve se lembrar da confusão que foi quando divulgaram as candidatas ao Miss Bahia. Entre todas as candidatas a mulher mais bela do estado com mais negros no Brasil, várias loiras e quase nenhuma negra. A reação na internet foi péssima. Pouquíssima gente entendeu como alguma daquelas mulheres poderia representar a beleza baiana. Ao falar sobre o assunto, lembrei que o caso não é isolado. Nenhuma das Miss Bahia que se tornaram Miss Brasil eram negras.

Passado todo o auê, no último sábado ocorreu o concurso e a vencedora foi Priscila Cidreira, uma negra linda de Salvador. Não sei quanto a decisão foi influenciada pelos protestos nas redes sociais. Mas olhando a galeria de fotos das candidatas, não conseguia imaginar outra decisão.

Parabéns, Priscila.

Que ano é hoje? Ou o preconceito racial na atualidade…

Se você é daqueles que pensa que o preconceito racial ficou preso nos anos 1950, sugiro que veja os links desse post com bastante atenção.

Nos últimos dias, duas histórias me deixaram bastante surpreso. Não imaginava que Brasil e Estados Unidos ainda tivessem preconceitos tão fortes e arraigados. Para mim, as coisas ficavam muito mais “escondidas”, disfarçadas em salários menores, no tratamento diferente dado pela mídia e em arroubos racistas que, de vez em quando, vemos por ai – principalmente nos comentários anônimos da internet.

Em alguns lugares, porém, a coisa é bem mais descarada e desavergonhada. Não fosse isso, como explicar que garotas do estado americano da Georgia resolveram instituir uma “nova” tradição para o baile de formatura do colegial? A nova tradição nada mais é do que dar uma festa onde possam comparecer negros e brancos. Nada de comemorações separadas, como acontecia até então.

No Brasil, na cidade de Canguçu (RS), a igreja Luterana tem sedes separadas para os brancos e para os negros. Um quilômetro separa as igrejas, comandadas pelo mesmo pastor. Um quilômetro e um histórico baseado no preconceito racial.

O que mais me espantou nas duas histórias é que, segundos os textos, as coisas permaneceram assim porque foi o desejo da comunidades. Um sinal – preocupante – de que todo o passado ainda está muito presente na cabeça das pessoas.