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E se a Dilma escolhesse o tema da novela?

Outro dia, na lista de discussões da Abraji fomos brindados com uma excelente dica de Guilherme Alpendre, o diretor-executivo da entidade e, como diz Sérgio Gomes, da Oboré, o maior pauteiro do Brasil. Guilherme mandou um link da NPR, que reúne as rádios públicas dos Estados Unidos e costuma ter ótimos programas.

No link enviado pelo Guilherme, estava a reportagem que você pode conferir abaixo (em inglês). Nela, Jasmine Garsd, a correspondente da NPR em Caracas, capital da Venezuela, conta como o fim da RCTV, em 2007, afetou a produção de telenovelas no país. A RCTV era a maior produtora de telenovelas da Venezuela e, como uma Globo local, revendia suas produções para muitos países – inclusive para o Brasil.

Com o seu fim, o perfil das novelas venezuelanas mudou bastante. Saíram os ricos e poderosos e entraram as vidas de gente comum. Saíram os protagonistas brancos e europeizados e entraram negros e mulatos. Até ai tudo normal. O Brasil também vive um processo semelhante, apesar de mais lento.

O que me espantou na reportagem foi o fato de Hugo Chavez ter escolhido pessoalmente o tema de uma das novelas. Nada de amores proibidos ou grandes golpes. “Teresa en tres estaciones” trata de como a vida dos venezuelanos foi afetada pela construção do novo metrô no estado de Miranda, na região de Caracas. Resumindo: propaganda do governo em forma de novela. Já pensou se a moda pega?

Ele se calou… e eu perdi a oportunidade

Tem uns poucos que tocou a musiquinha do Plantão informando a morte do presidente da Venezuela, Hugo Chavez. Assim que o barulhinho irritante começou, eu já imaginava do que se tratava. Antes mesmo de a cara de William Bonner ocupar a tela já comecei a lamentar.

Não que eu fosse um grande admirador de Chavez. Muito menos sou daqueles que acha que todo mundo que morre vira santo. O que me fez lamentar a morte de Chavez foi minha própria falta de timing. Há alguns dias, logo que decidi que ia voltar a ser frila em tempo integral, comecei a planejar uma viagem a Caracas. A ideia era chegar à capital venezuelana a tempo de acompanhar a tensão das pessoas em torno da possível morte do homem que liderou os rumos do país nos últimos 13 anos. Já tinha consultado valor de passagem e de hospedagem. Era perfeitamente viável fazer a viagem sem o respaldo de nenhum veículo. De lá mesmo ou na volta, teria um material riquíssimo na mão, que teria o prazer de oferecer para algumas publicações em troca de uns caraminguás.

Perdi a oportunidade de acompanhar este momento. Mas fiquei com a lição – que já conhecia na teoria, mas nunca tinha sentido na prática – de que, no jornalismo, mais importante do que ser bom apurador e escrever direitinho, é estar na hora certa e no lugar certo.

Que a próxima ideia não fique só no plano.