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Textos com Etiquetas ‘Folha de São Paulo’

Quanto vale ou é por metro?

Vejam só essa notícia que saiu na Folha de S.Paulo: “Sebos vendem livros por metro para decoração de escritórios e residências“. Realmente acho livros uma excelente forma de decorar uma casa ou um escritório. Mas de que será que vale ter metros e mais metros de belas capas nas estantes, sem saber qual o conteúdo de tudo aquilo?

Sempre fui um leitor fanático. Nunca estou sem um livro na cabeceira e sempre tenho que inventar espaços em casa para guardar minhas novas aquisições. Recentemente comprei um Kindle, para resolver esse problema. Me adaptei muito bem à leitura no equipamento e não tenho mais que me preocupar se as estantes aguentam tanto peso. Mas fico com uma preocupação: será que esses livros digitais vão acabar com o livro como uma ótima opção de presente, assim como ocorreu com os CDs? Repare que as pessoas continuam consumindo música como antes – e os números crescentes de downloads no iTunes estão ai para provar -, mas ninguém mais compra um CD para dar de presente a outra pessoa.

Será o fim das belas dedicatórias? E as noites de autógrafo, como ficarão? Me parece que está chegando o dia em que o livro, tal como conhecemos, vai ser apenas um objeto de decoração vendido por metro. Triste fim…

Irritando os entrevistados

Outro dia esta lendo um post no blog do Rodrigo Russo, correspondente da Folha em Londres, sobre o grande entrevistador britânico David Frost (aquele do filme Frost/Nixon).

Segundo o Rodrigo, Frost diz que, “se os assessores não ficarem insatisfeitos, não houve boa entrevista”. Isso me fez lembrar de um jornalista que, certa vez, disse que teve certeza de que fazia bem o seu trabalho no dia que acumulou processos de figuras como Antonio Carlos Magalhães e Paulo Maluf.

Sei que num primeiro momento pode parecer estranho o prazer que irritar ou desagradar alguém pode dar para esses repórteres, mas no fundo acho que consigo entendê-los. Por lidarem com temas muito delicados (política, principalmente), a irritação dos entrevistados é um sinal para eles de que conseguiram extrair informações valiosas para o público. É aquele prazer de ter a certeza de que foi além do óbvio. Nem sempre é um furo, mas sim um passo além daquilo que todo mundo já sabe. Espero que todo jornalista consiga sentir esse prazer algumas vezes ao longo da carreira.