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O direito humano de pedir a senha do cartão

O vídeo abaixo é uma pregação (ou pedição) do Pastor Marco Feliciano, deputado federal pelo PSC de São Paulo, escolhido pelo partido para comandar a Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Sinceramente, não acredito que as imagens deveriam impedir que Feliciano assumisse a presidência da Comissão, como muita gente tem falado nas redes sociais. Creio que o estelionato religioso e o uso da fé alheia cometidos pelo pastor nesse vídeo deveriam ser motivos suficientes para impossibilitar que Feliciano exercesse qualquer cargo público.

Não cabe aqui uma discussão sobre dízimo em si, pois isso é assunto interno de cada religião e não somos nós, que nada temos a ver com a história, que vamos dizer o que é certo ou errado. O que é espantoso são as formas que o pastor-deputado utilizou para pedir a contribuição dos fieis. Pedir a senha do cartão de fiel e reclamar que ninguém ainda foi doar um carro extrapola qualquer limite que conheço como razoável.

Para piorar, o indicado para a presidência da Comissão dos Direitos Humanos, responsável por zelar pelo direito das minorias no Câmara, é um ferrenho homofóbico. Feliciano já se referiu à Aids como “câncer gay” e faz parte da bancada contrária à extensão de diversos direitos básicos a essa parcela da população.

O conceito de Direitos Humanos pode ser amplo e variar em diversas partes do mundo, conforme aprendi outro dia com o Leonardo Sakamoto, um mestre do jornalismo contemporâneo com quem estou tendo a honra de ter aulas. Mesmo assim, os conceitos do deputado Feliciano me parecem bem distantes do que se convencionou chamar assim aqui por essas bandas.

O objetivo do PSC e da bancada evangélica era ter eleito Feliciano presidente da Comissão ainda ontem. Mas a mobilização de militantes e parlamentares fez com que a reunião fosse adiada para hoje. Resta torcer para que a pressão dos deputados do PSOL e do PT verdadeiramente ligado à causa surta algum efeito. Se isso não acontecer, cabe a nós lutar para que, na próxima eleição, menos Felicianos e mais Jeans Wyllys estejam no Congresso.