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O novo Papa é mocinho ou vilão?

Mal terminou de sair a fumaça branca da chaminé da Capela Sistina e as redes sociais já entraram na profunda divisão de costume. De um lado, aqueles que veem a escolha de um sulamericano como uma grande evolução para a Igreja. De outro, os que apontam todos os defeitos mundanos e espirituais do cardeal Jorge Mario Bergoglio. De um lado aqueles que apontam Francisco I como um legitimo pai-dos-pobres, um homem humilde e trabalhador. Do outro, os que o acusam de ser homofóbico e conservador ao extremo. Até mesmo a participação de Bergoglio durante o regime militar argentino é alvo de debate. Há quem diga que ele foi amigo dos ditadores. Outros garantem que ele batalhou pelo fim do governo de exceção.

Não vi de perto o trabalho de Bergoglio em Buenos Aires, então não posso opinar. Sobre sua postura como Francisco I, ainda não temos absolutamente nada a dizer, além de que ele foi muito simpático em sua primeira saudação e que, definitivamente, tem cara de Papa.

O que me incomoda – e não é só nesse conclave, mas em tudo que diz respeito a religião, política e futebol – é esse eterno clima de Fla Flu. Parece que sempre estamos ligados na novela das nove, acompanhando cada movimento da mocinha e do vilão. Talvez seja uma necessidade humana, já que é difícil encarar que somos feitos de nuances. Mas temos que ser adultos e saber que as coisas não podem ser assim. Ultimamente, nem nas novelas as mocinhas são sempre boas e os vilões sempre terríveis. Se até Cristina Kichner, presidente da Argentina que vivia às turras com o cardeal Bergoglio, o saudou pela eleição e desejou sorte, porque nós, que nada temos a ver com a história temos que tomar um partido tão bem definido?

Não há dúvidas de que Francisco I é conservador. Bastante, até. Mas a Igreja é conservadora – e assim deve continuar. Ninguém é obrigado a seguir uma religião – eu mesmo optei por não seguir. Esperar que fosse eleito um papa modernoso, defensor do aborto e do casamento gay é uma bobagem de quem não entende como as coisas funcionam. Se essas são suas ideias, exija isso do seu deputado, não do Papa. A função dele é justamente zelar pelos dogmas da Igreja. Para demonstrar isso, nada melhor do que um twitte que vi circulando por ai. É irônico e engraçado, mas resume bem o que penso.

 

Ao invés disso, o que espero de Francisco I é que ele livre a Igreja daquilo que não deveria pertencer a ela: os casos de pedofilia, as suspeitas de corrupção, o uso da fé como justificativa para o preconceito. O resto é resto e pode ser “resolvido” em seu devido tempo.