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Textos com Etiquetas ‘aprendizado’

O que aprendi com Célia

Na última semana tive o prazer de receber em casa alguns exemplares da jornal Cândido, editado pela Biblioteca Pública do Paraná. A alegria de ter em mãos um jornalzinho pequeno e desconhecido se justifica. As páginas dez e onze estão preenchidas com um texto que apurei e escrevi durante a oficina de reportagem que fiz com Eliane Brum em Curitiba, no fim do ano passado, e do qual muito me orgulho. Já falei do curso aqui e aqui, mas hoje quero falar sobre o que resultou dos dias que passei em Curitiba.

No último dia, Eliane nos pediu para sair às ruas do centro da cidade e encontrar alguém que topasse falar sobre felicidade (não os conceitos filosóficos, mas a felicidade real, palpável). Depois que os textos estivessem prontos, Eliane iria escolher um para ser publicado no jornal da Biblioteca.

Em um primeiro momento, achei que tinha tido um baita de um azar, afinal a pessoa que mais me deu papo, Célia, não gostava de falar da felicidade. Queria encontrar outra, mas não teria tempo para isso. Na volta para a Biblioteca fiquei até meio chateado por não ter conseguido atender à missão passada pela Eliane. Mas ao me ouvir contando para os colegas o que tinha escutado de minha entrevistada, me dei conta da lindeza de história que eu tinha nas mãos. Resolvi me jogar no texto e, depois de algumas sugestões da Eliane, a história ganhou os contornos finais, que vocês podem ver aqui ou no Cândido que está circulando por Curitiba esse mês.

A história de dona Célia me fez pensar muito sobre a vida e o entrevistar. Vamos primeiro à lição mais fácil, a jornalística. Me forcei a dar a ela a oportunidade de responder com o silêncio e me forcei a saber entrevistar também seu gestos, movimentos e atitudes. Fazer isso não é fácil e, para mim, ainda não é uma coisa natural. Durante o exercício busquei esse detalhismo, porque tinha sido orientado a fazer isso. Ver o resultado final do texto, porém, me deixou estimulado a perseguir cada vez mais o detalhe, a escutar cada vez mais o silêncio, a conversar cada vez mais com os olhos. Aos poucos, vai ficando mais fácil e tenho a esperança de que um dia seja algo tão natural que eu nem repare mais que estou fazendo.

Agora a lição mais difícil de assimilar. Ao conversar com Célia, uma mulher que diz não ter mais alegrias, aprendi também a valorizar um pouco mais a felicidade. É difícil definir o que é isso, mas é muito fácil saber quando ela nos abandona. Ver os olhos de Célia falando sobre a mãe ou entristecidos enquanto a boca sorria me estimulou a querer me agarrar cada vez mais à felicidade e dar cada vez menos bola às pequenas tristezas da vida.

O que quero agora é aprender fazer as pequenas felicidades serem grandes como uma sombra projetada na parede e as grandes tristezas, pequenas como sombra na hora do Sol a pino!

5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Ontem fui ao 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI). Gosto muito desse evento e, sempre que possível, participo. Esse ano, infelizmente, só pude ir ao último dos três dias de palestras. Mesmo assim, valeu a pena cada centavo investido. Pude ouvir jornalistas que admiro muito como Eliane Brum e Kennedy Alencar falando sobre os desafios, dificuldades e vantagens de se fazer um jornalismo de qualidade.

Como sempre, aprendi muito, conheci gente nova, reencontrei novos e velhos amigos. O mais gostoso, porém, é ver a integração entre gente com muitos anos de experiência e outros mais novos. A troca de experiências entre pessoas de diversos veículos, idades e históricos na profissão é algo enriquecedor.

Se tiver tempo, pretendo fazer ao longo dessa semana um breve relato sobre o que foi conversado nas palestras que assisti. Tudo é muito interessante e enriquecedor. Aproveito e deixo aqui o convite para que você participe desse evento ano que vem. Fique de olho no site da Abraji para quando abrirem as inscrições.