Um Setubal que prefere as pessoas

Sempre que participa de encontros familiares, José Luiz Setubal se vê obrigado a responder à mesma pergunta: “Você continua médico?”. Único dos sete filhos de Olavo Setubal a ter seguido carreira na medicina, o pediatra José Luiz nunca pensou em se envolver nos negócios da família. “Fiz medicina porque gostava mais de gente do que de números”, afirma. “Minha sorte é que tinha mais seis irmãos. Não fosse isso, não sei se meu pai me apoiaria nessa decisão.”

Os gostos pessoais ficam claros para quem olha a mesa de José Luiz, que hoje comanda o Hospital Sabará, em São Paulo. Ao invés das planilhas e tabelas que pode se esperar na sala de um diretor de hospital – e mais ainda na de um Setubal —, o que chama a atenção é um livro de 573 páginas sobre os cuidados com uma criança de até um ano. “Tenho que me manter atualizado sobre as novidades médicas, mesmo que eu atenda cada vez menos.”

Desde que assumiu o comando do Sabará, em 2005, José Luiz teve que mudar bastante a rotina. Hoje, só consegue atender dois ou três pacientes por dia. “Faço questão de reservar um espaço na minha agenda no começo da manhã ou depois que saio do hospital.”

Não é a toa que a função de administrador conseguiu tomar espaço na vida de José Luiz apenas nos últimos anos. Durante toda a juventude, o pediatra tentou fugir do destino imposto pelo sobrenome famoso. “Nunca quis ser gestor”. A missão, porém, não foi nada fácil. “Desde os tempos de faculdade sempre me jogaram para esse tipo função. Meu sobrenome me colocou até na comissão de formatura.”

 

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