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A fórmula secreta da felicidade

Nunca fui um grande fã de finais de ano. Essa sensação de que tudo pode mudar de um minuto para o outro simplesmente porque alguém determinou que aquele era um momento de passagem me deixa tenso, por mais que eu saiba que tudo isso é uma grande bobagem. A obrigação de fazer um balanço de tudo o que vivi nos últimos doze meses e preparar planos incríveis para os próximos doze é muita pressão sobre meus ombros. É como se tivéssemos a necessidade de, nessa época, encontrar a fórmula secreta da felicidade. Mas mesmo assim não resisto e sempre resolvo fazer esses balanços, buscar esse caminho. Descubro o que poderia ter sido melhor, em que momentos acertei e em que pontos terei que me esforçar muito para que o próximo ano seja tão incrível quanto sempre sonho.

Eis que, ao fazer o tal balanço deste 2013, me dei conta de que tive um dos anos mais bacanas da minha vida. Não falo com o saudosismo ou o otimismo que costumam marcar essas épocas do ano, mas com o realismo de quem, realmente, não tem muito do que reclamar. Me lembro de, nos últimos dias de 2012, ter pedido que o próximo ano fosse mais tranquilo, sem tantos sobressaltos e motivos para me estressar. O ano que estava acabando não tinha sido nada fácil em diversos aspectos e tudo o que eu queria era inaugurar uma nova fase, em que eu me enxergasse e realizasse.

Foi basicamente isso o que aconteceu. No campo pessoal, troquei algumas reticências por pontos finais. Profissionalmente, sai de um emprego que não me satisfazia mais e me aventurei na vida de freelancer. Nada disso foi fácil. A sensação de frio na barriga foi uma constante. Apesar disso, sobrevivi. Mais do que isso – vivi. Tive aquela sensação que só alguém que já se sentiu livre na vida sabe explicar como é. Pude fazer coisas que me agradavam. Ter a plena impressão de que muitos sonhos poderiam sair do papel – e ver alguns deles ganhando forma. Encontrar amigos que eu não via há muito tempo. Ver filmes que há muito queria assistir. Enfim, pela primeira vez em tantos anos pude por em prática minha filosofia de que a vida e os desejos não precisam ser coisas tão opostas.

Este foi o ano em que me aprofundei no velho sonho de escrever ficção. Foi o ano em que resolvi tirar a poeira daquela antiga ideia de ser ator. Foi o ano em que me entreguei mais profundamente às pequenas coisas da vida. Pode ser – e é muito provável – que tudo isso que dei início em 2013 jamais me renda frutos financeiros. Mas não importa. Esses pequenos atos já me renderam frutos pessoais e sentimentais capazes de pagar qualquer buraco na conta corrente.

E agora, com 2014 batendo à porta, pela primeira vez não tenho medo do que o futuro pode me reservar. Este ano minha única resolução é não ter resoluções. Nada de prometer entrar para a academia ou de não deixar livros pela metade. No lugar disso, seguirei minha vida da forma mais livre possível. Tomando decisões apenas quando elas têm que ser tomadas. Deixando para sofrer apenas no momento em que isto for inevitável. Funcionou em 2013 – apesar de eu ainda ter tido algumas recaídas de ansiedade extrema, admito – e há de funcionar em 2014. E se não der certo, ainda terei 2015, 2016, 2017 e muitos outros anos para encontrar a fórmula secreta.

 

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