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Sobre a vida de frila

No post em que comentei meu texto no Novo em Folha, fiquei de compartilhar mais um pouco de minhas experiências aqui com vocês.

Hoje, queria falar um pouquinho sobre a vida de frila.

Sempre me senti atraído pela possibilidade de viver como freelancer. Via nisso uma liberdade total e a chance de escrever só sobre coisas que gosto. A prática se mostrou bem mais difícil que a teoria (como sempre, aliás), mas mesmo assim muito compensadora.

A decisão de cair nesse mundo se deu em um momento bem complicado. Não estava satisfeito com meu trabalho e ir para a redação era uma atitude cada vez mais penosa. Os fatores que provocavam isso não vêm ao caso, porém quem já enfrentou essa desilusão com algum emprego sabe bem como é levantar e não ter a mínima vontade de sair da cama para ir trabalhar. Resolvi acabar com isso antes que minha saúde começasse a se prejudicar. Me planejei e estabeleci um cronograma para comprar minha “carta de alforria”.

Fiz isso no dia 10 de novembro de 2011, véspera do meu aniversário. Naquele dia me senti leve como poucas vezes. Era uma quinta-feira. Na sexta, eu comemoraria meu aniversário. Depois vinha o fim de semana e só na segunda eu ia ter que pensar no meu futuro.

Esse foi meu maior erro. Eu já deveria ter pensado no futuro antes mesmo de pedir demissão. Não deveria ter feito apenas o planejamento financeiro, mas também o de trabalho.

Hoje eu sei que a maior dificuldade para quem está na vida de freelancer é conseguir trabalhos de qualidade. Para isso é preciso ter contatos ou cara de pau o suficiente para bater na mesma porta mil vezes. Antes de emplacar os primeiros trabalhos, isso é ainda mais difícil, mas nada impede que os resultados apareçam.

Tive a sorte de conseguir muitas coisas no meio do caminho. Praticamente não fiquei sem trabalhar e pude fazer coisas tão diferentes quanto escrever para a Sou Mais Eu! e a Brasileiros. Mas nem tudo paga tão bem quanto a gente merece e nem sempre é possível encontrar aquele frila tão prazeroso quanto esperamos.

O tempo que passei como frila foi relativamente curto, mas aprendi muito. Primeiro, descobri que existiam muitos mundinhos além dos que eu estava acostumado. Na mesma semana, tinha que lidar com esquemas completamente de chefias e de fechamento. Também aprendi a dar mais valor ao meu trabalho. Descobri qualidades que não conhecia e defeitos que fingia não ver. Mas, acima de tudo, aprendi algumas coisas que não devo fazer se, no futuro, resolver ou precisar tentar essa vida de novo (e esse conhecimento, talvez seja o mais valioso de todos).

A dica que dou para quem quer seguir esse caminho é “se arrisque, mas com segurança”. Se cerque de cuidados para os meses de baixa, para os calotes e para o começo, quando ainda pouca gente te conhece. Mas não deixe que esses cuidados te deixe sem ação. Como diria o velho ditado: “vai e arrasa!” ;)

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