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Arquivo de julho, 2010

Jornalista pode ter posição política?

Nunca vi muita lógica nesse questionamento, mas sempre fiz questão de respondê-lo. Jornalista DEVE ter posição política. Ele é um cidadão como qualquer outro e tem o direito de escolher aqueles que considera mais capacitados para governar seu país, seu estado, sua cidade ou seu condomínio. Mais do que isso, tem o direito de convencer amigos, colegas e familiares de que seu partido ou seus candidatos são os melhores. Deve tomar cuidado, porém, para não utilizar o prestígio conquistado por sua função como forma de “impor” uma determinada ideia. Também deve estar atento para que suas posições pessoais não transpareçam em textos não opinativos.

Formei essa posição depois de muito tempo de debate comigo mesmo. Minha vida é dividida entre o jornalismo e a política e esse é um dilema que me acompanhou durante bastante tempo. Fui filiado a um partido durante cinco anos. Sai por descontentamentos internos, mas também por chegar à conclusão que filiação partidária é um comprometimento muito grande para um jornalista. Como filiado, achava que deveria manter as críticas ao partido apenas internamente. Como poderia fazer isso e ser jornalista ao mesmo tempo?

Hoje não sou mais filiado, o que me dá o direito de fazer críticas abertas a qualquer legenda. Não sou filiado, mas continuo tendo minhas preferências. Para as eleições de outubro próximo, já escolhi meus candidatos e batalharei para que eles sejam eleitos. Isso não anulará minha posição de jornalista e não prejudicará minha imparcialidade. Minhas posições políticas são públicas e podem ser acompanhadas pelo meu twitter, pelo blog Vou de Marina ou em conversas pessoais. Se tiver que escrever um texto jornalístico sobre as eleições, porém, minha opinião ficará de fora. Não protegerei meus candidatos ou seus partidos. É esse o compromisso que deve ser assumido por todo jornalista e não o da ausência de opinião, que é um mal para o cidadão-jornalista e para a sociedade como um todo.