Congresso Abraji

Meus queridos,

Estão abertas as inscrições para o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela nossa querida Abraji. O evento vai acontecer nos dias 12, 13 e 14 de julho, aqui em São Paulo.

Participei de várias das edições anteriores e certamente estarei nessa também. Recomendo muito o Congresso, que é uma ótima oportunidade de fazer contatos, rever amigos e, principalmente, aprender muito com os feras da profissão.

Minha sugestão é que façam a inscrição o mais rápido possível, não só por causa do preço, mas porque as salas mais concorridas esgotam super rápido!

O que aprendi com Célia

Na última semana tive o prazer de receber em casa alguns exemplares da jornal Cândido, editado pela Biblioteca Pública do Paraná. A alegria de ter em mãos um jornalzinho pequeno e desconhecido se justifica. As páginas dez e onze estão preenchidas com um texto que apurei e escrevi durante a oficina de reportagem que fiz com Eliane Brum em Curitiba, no fim do ano passado, e do qual muito me orgulho. Já falei do curso aqui e aqui, mas hoje quero falar sobre o que resultou dos dias que passei em Curitiba.

No último dia, Eliane nos pediu para sair às ruas do centro da cidade e encontrar alguém que topasse falar sobre felicidade (não os conceitos filosóficos, mas a felicidade real, palpável). Depois que os textos estivessem prontos, Eliane iria escolher um para ser publicado no jornal da Biblioteca.

Em um primeiro momento, achei que tinha tido um baita de um azar, afinal a pessoa que mais me deu papo, Célia, não gostava de falar da felicidade. Queria encontrar outra, mas não teria tempo para isso. Na volta para a Biblioteca fiquei até meio chateado por não ter conseguido atender à missão passada pela Eliane. Mas ao me ouvir contando para os colegas o que tinha escutado de minha entrevistada, me dei conta da lindeza de história que eu tinha nas mãos. Resolvi me jogar no texto e, depois de algumas sugestões da Eliane, a história ganhou os contornos finais, que vocês podem ver aqui ou no Cândido que está circulando por Curitiba esse mês.

A história de dona Célia me fez pensar muito sobre a vida e o entrevistar. Vamos primeiro à lição mais fácil, a jornalística. Me forcei a dar a ela a oportunidade de responder com o silêncio e me forcei a saber entrevistar também seu gestos, movimentos e atitudes. Fazer isso não é fácil e, para mim, ainda não é uma coisa natural. Durante o exercício busquei esse detalhismo, porque tinha sido orientado a fazer isso. Ver o resultado final do texto, porém, me deixou estimulado a perseguir cada vez mais o detalhe, a escutar cada vez mais o silêncio, a conversar cada vez mais com os olhos. Aos poucos, vai ficando mais fácil e tenho a esperança de que um dia seja algo tão natural que eu nem repare mais que estou fazendo.

Agora a lição mais difícil de assimilar. Ao conversar com Célia, uma mulher que diz não ter mais alegrias, aprendi também a valorizar um pouco mais a felicidade. É difícil definir o que é isso, mas é muito fácil saber quando ela nos abandona. Ver os olhos de Célia falando sobre a mãe ou entristecidos enquanto a boca sorria me estimulou a querer me agarrar cada vez mais à felicidade e dar cada vez menos bola às pequenas tristezas da vida.

O que quero agora é aprender fazer as pequenas felicidades serem grandes como uma sombra projetada na parede e as grandes tristezas, pequenas como sombra na hora do Sol a pino!

Correria

Pela minha ausências, vocês devem imaginar como está a correria por aqui, né?

Tenho uma lista imensa de coisas que quero postar e, aos poucos, vou manter isso aqui atualizado. Amanhã mesmo já teremos novidades. Palavra de honra!

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Ausência

Normalmente deixo alguns posts programados no fim de semana, para o caso de o tempo apertar e eu não conseguir atualizar aqui durante a semana. Esse fim de semana não consegui, porque estava muito ocupado dormindo depois de uma semana puxada. Ontem o dia também foi uma correria danada. Então peço desculpas pela ausência e prometo dar as caras assim que sobrar 10 segundinhos na minha agenda.

Pela atenção, obrigado.

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Irritando os entrevistados

Outro dia esta lendo um post no blog do Rodrigo Russo, correspondente da Folha em Londres, sobre o grande entrevistador britânico David Frost (aquele do filme Frost/Nixon).

Segundo o Rodrigo, Frost diz que, “se os assessores não ficarem insatisfeitos, não houve boa entrevista”. Isso me fez lembrar de um jornalista que, certa vez, disse que teve certeza de que fazia bem o seu trabalho no dia que acumulou processos de figuras como Antonio Carlos Magalhães e Paulo Maluf.

Sei que num primeiro momento pode parecer estranho o prazer que irritar ou desagradar alguém pode dar para esses repórteres, mas no fundo acho que consigo entendê-los. Por lidarem com temas muito delicados (política, principalmente), a irritação dos entrevistados é um sinal para eles de que conseguiram extrair informações valiosas para o público. É aquele prazer de ter a certeza de que foi além do óbvio. Nem sempre é um furo, mas sim um passo além daquilo que todo mundo já sabe. Espero que todo jornalista consiga sentir esse prazer algumas vezes ao longo da carreira.

Morreram Chico Anysio

Acho que uma das coisas mais difíceis é criar uma boa manchete, que fuja do óbvio e informe ao mesmo tempo. Resumir tudo o que será dito em uma ou algumas matérias em apenas uma frase pegadora é muito complicado. Por isso achei incrível a capa do jornal carioca O Dia de hoje. Além de ser uma bela homenagem ao Chico Anysio, consegue fugir do óbvio sem forçar a barra.

Primeira página do carioca O Dia em homenagem ao mestre Chico

Pé na Tábua e Sai Correndo

Adoro os tipos que encontro quando ando de trem. Os vendedores ambulantes, com discursos que só eles são capazes de repetir, as conversas que ouço e, principalmente, os artistas que se apresentam.

Outro dia, vi uma dupla de repentistas que merece o registro por aqui. Os dois se apresentam como Pé na Tábua e Sai Correndo e começam a apresentação agradecendo a Deus pela agenda de shows lotada. “São mais de 20 vagões por dia”, afirma Pé na Tábua, o mais comunicativo dos dois.

Mal terminam os discursos de agradecimento, já tem que fazer o primeiro intervalo da apresentação. Está chegando em uma estação e se os seguranças reparem que o palco está ocupado, os espectadores vão entender melhor o porque do nome da dupla.

Passada a interrupção, eles finalmente começam para valer o show. A primeira música fala sobre a diferença entre pobres e ricos. Enquanto um come tudo que vê, o outro passa fome. Uma espectadora, talvez de mau humor pelo dia de trabalho que ainda nem começou, reclama. “Sou pobre e não passo fome.” Novamente é Pé na Tábua quem toma a palavra e se justifica. “A gente fala da pobreza de verdade, daquela lá da África, que graças a Deus a senhora não sabe o que é.”

Hora do novo intervalo. Na volta, Sai Correndo avisa que é hora de mudar de tema e já pede desculpas para as moças que se sentirem ofendidas com a próxima música. Não tinha motivo. O texto era uma ode à beleza feminina, seja como ela for – por mais que os dois deixem clara a preferência pelas gordinhas. “Na praia, ninguém dá bola pra magrela.”

Mais um intervalo. Nesse, infelizmente tenho que descer. Mal vejo a hora de conseguir novo ingresso para o show da dupla.

Projeto Repórter do Futuro

Estão abertas as inscrições para o 6º curso “Descobrir a Amazônia, Descobrir-se repórter”. Para quem não conhece, o curso faz parte do Projeto Repórter do Futuro, desenvolvido pela Oboré. O projeto é voltado para os estudantes dos cursos de graduação de jornalismo e a pré-inscrição pode ser feita até 29 de março neste link.

Fiz o Descobrir a Amazônia há uns 3 anos e foi uma experiência muito enriquecedora. Aprendi muito, tanto sobre essa região do país (que teimamos em pensar apenas na base de esteriótipos), como sobre o jornalismo.

(Aproveitando o post, há poucos dias o Projeto Repórter do Futuro perdeu um de seus grandes amigos, o professor César Ades, vítima de um atropelamento na Avenida Paulista. Foi no auditório do Instituto de Estudos Avançados, então dirigido por Ades, que aconteceram os encontros do Descobrir a Amazônia no ano que participei.)

Estupro visto como um jogo

21, março, 2012 Gabriel Ferreira 1 comentário

Vi no blog do Juan Arias, correspondente do El Pais no Brasil, esse post. Já faz mais de uma semana e, desde então, estou pensando em como comentar a barbaridade dessa história. Não consegui, então apenas compartilho o texto do Arias, para que vocês possam me acompanhar na indignação.

Sobre a vida de frila

No post em que comentei meu texto no Novo em Folha, fiquei de compartilhar mais um pouco de minhas experiências aqui com vocês.

Hoje, queria falar um pouquinho sobre a vida de frila.

Sempre me senti atraído pela possibilidade de viver como freelancer. Via nisso uma liberdade total e a chance de escrever só sobre coisas que gosto. A prática se mostrou bem mais difícil que a teoria (como sempre, aliás), mas mesmo assim muito compensadora.

A decisão de cair nesse mundo se deu em um momento bem complicado. Não estava satisfeito com meu trabalho e ir para a redação era uma atitude cada vez mais penosa. Os fatores que provocavam isso não vêm ao caso, porém quem já enfrentou essa desilusão com algum emprego sabe bem como é levantar e não ter a mínima vontade de sair da cama para ir trabalhar. Resolvi acabar com isso antes que minha saúde começasse a se prejudicar. Me planejei e estabeleci um cronograma para comprar minha “carta de alforria”.

Fiz isso no dia 10 de novembro de 2011, véspera do meu aniversário. Naquele dia me senti leve como poucas vezes. Era uma quinta-feira. Na sexta, eu comemoraria meu aniversário. Depois vinha o fim de semana e só na segunda eu ia ter que pensar no meu futuro.

Esse foi meu maior erro. Eu já deveria ter pensado no futuro antes mesmo de pedir demissão. Não deveria ter feito apenas o planejamento financeiro, mas também o de trabalho.

Hoje eu sei que a maior dificuldade para quem está na vida de freelancer é conseguir trabalhos de qualidade. Para isso é preciso ter contatos ou cara de pau o suficiente para bater na mesma porta mil vezes. Antes de emplacar os primeiros trabalhos, isso é ainda mais difícil, mas nada impede que os resultados apareçam.

Tive a sorte de conseguir muitas coisas no meio do caminho. Praticamente não fiquei sem trabalhar e pude fazer coisas tão diferentes quanto escrever para a Sou Mais Eu! e a Brasileiros. Mas nem tudo paga tão bem quanto a gente merece e nem sempre é possível encontrar aquele frila tão prazeroso quanto esperamos.

O tempo que passei como frila foi relativamente curto, mas aprendi muito. Primeiro, descobri que existiam muitos mundinhos além dos que eu estava acostumado. Na mesma semana, tinha que lidar com esquemas completamente de chefias e de fechamento. Também aprendi a dar mais valor ao meu trabalho. Descobri qualidades que não conhecia e defeitos que fingia não ver. Mas, acima de tudo, aprendi algumas coisas que não devo fazer se, no futuro, resolver ou precisar tentar essa vida de novo (e esse conhecimento, talvez seja o mais valioso de todos).

A dica que dou para quem quer seguir esse caminho é “se arrisque, mas com segurança”. Se cerque de cuidados para os meses de baixa, para os calotes e para o começo, quando ainda pouca gente te conhece. Mas não deixe que esses cuidados te deixe sem ação. Como diria o velho ditado: “vai e arrasa!” ;)